Giras aos sábados, às 16:00h. Uso de máscara recomendado, em caso de sintomas de gripes e resfriados
Esta seção tem como objetivo disponibilizar todas as instruções da Curimba para cada uma das linhas de trabalho da Casa do Vô Benedito. Além disso, irá disponibilizar as apostilas e os áudios respectivos já disponíveis na plataforma, para ajudar na absorção das músicas.
A Curimba ou Engoma é o nome dado ao grupo de médiuns responsável pela condução musical dos trabalhos, através dos toques e cantos sagrados dentro de um terreiro de Umbanda. São compostos por ogãs (atabaqueiros, curimbeiros)e sambas (voz).
O propósito dos pontos cantados é, primeiramente, ritualístico, pois acredita-se que a música manipula/gera energias, sendo que, para cada momento da gira, diferentes forças precisam ser ativadas. Assim, temos pontos para a defumação, abertura das giras, bater cabeça e assim por diante. Existem também os pontos específicos para cada linha de trabalho que, por sua vez, se dividem em subgrupos, como pontos de firmeza, de saudação, de sustentação, de chamada e de subida.
Além da questão energética, o uso da música auxilia na concentração dos médiuns, direcionando o foco para os toques e os cantos, evitando distrações, o que garante a ordem nos trabalhos espirituais, imprescindível na Umbanda. A batida do atabaque também induz o cérebro a emitir ondas cerebrais diferentes do padrão comum, facilitando o transe mediúnico.
Já no espiritual, considerando que as ondas sonoras traduzem-se em ondas energéticas, atuam diretamente nos chacras, ativando–os e aumentando a sintonia com a espiritualidade, criando condições ideais para a prática da mediunidade de incorporação. Acabam ainda por dissolver energias pesadas e limpar a aura da pessoa, agindo também na mente, afastando pensamentos negativos.
Em que pese não estejam incorporados, existem entidades que guardam e auxiliam a Curimba. São verdadeiros guardiões dos mistérios do som. Em razão disso é que entidades incorporadas, quando fazem uma saudação na frente dos atabaques, estão saudando não apenas os médiuns, mas também a esses mestres da música no astral.
Daí a importância da Curimba como ferramenta viabilizadora, mantenedora e potencializadora de energia, propiciando também a comunicação do nosso carinho e amor pelos Orixás e Entidades através da oração cantada. Em razão disso é que, para que eles possam de antemão estar preparados para o trabalho, os médiuns da Curimba batem a cabeça antes que os demais médiuns da corrente.
Engoma: palavra n'goma, no dialeto banto, significa "tambor".
Curimba: tem origem na língua kimbundu de Angola. Vem do verbo kwimba, que significa “cantar.
Ogã: do iorubá, significa "chefe", "líder", "senhor" (por serem aqueles que dão estrutura ao ritual, que mantém a ordem da gira).
Os médiuns que fazem parte da Curimba precisam estar preparados para esse tipo de trabalho, devendo estar familiarizados com os pontos e os seus respectivos fundamentos. O médium não necessariamente precisa ter conhecimento prévio de percussão ou música para fazer parte da Curimba, mas recomenda-se aprender e praticar, se estiver disposto a conhecer esse lado do desenvolvimento mediúnico.
Geralmente, são médiuns intuitivos, que percebem as energias e suas oscilações, permitindo, assim, que saibam o quê, como e quando cantar determinado ponto durante os trabalhos. Por isso, é essencial a participação dos ensaios, para alinhar a condução da gira e manter a harmonia necessária durante o ritual.
Na nossa casa, um médium da corrente que tenha interesse em desenvolver essa parte da mediunidade pode conversar antes com os capitães da Curimba e com o Pai de Santo, a fim de pedir permissão para participar da Curimba. É importante relembrar que se trata de uma função profundamente sagrada, que exige do médium a mesma concentração e dedicação necessária que os demais.
Grande parte dos instrumentos existentes na Umbanda foram trazidos pelos povos africanos escravizados. Originados, em sua maioria, da música tradicional iorubá e bantu da África Ocidental (hoje Angola e Gana). Outros têm sua origem dos diversos povos presentes no Brasil, como povos indígenas e imigrantes asiáticos e europeus (a exemplo da maraca, do pandeiro, do sino, da flauta e assim por diante).
É a base da Engoma/Curimba. O Atabaque é vivo e deve sempre ser reverenciado por ser o instrumento de abertura do portal de ligação entre o Orún (céu) e o Aiyê (Terra). São essenciais para a firmeza do terreiro, chamada dos guias e sustento das giras. Tem origem na palavra árabe al-Tabaq, que significa "prato".
Na mitologia iorubá, conta-se que Ayangalu foi o primeiro a tocar tambor para os Orixás. Logo, o atabaque é a manifestação da força de Ayangalu, o Orixá que rege o tambor. São três tambores com nomes e tamanhos distintos: Rum (grave), Rumpi (médio) e Lê (agudo).
Rum: O maior de todos e com o som mais grave. É o tambor "mestre", tocado pelo Alabê ou Ogã de maior hierarquia, que dita o ritmo, realiza repiques e floreio, respondendo às energias da gira.
Rumpi: Tem a função de responder ao Rum. Faz o contratempo (diálogo) deste, ajudando a sustentar a base rítmica. Ele preenche os espaços entre o som grave do Rum e o agudo do Lé.
Lé: O tambor com registro mais agudo. A função do Lé é marcar o tempo principal do toque.
Quando fora de uso, os atabaques devem ser cobertos com pano próprio, de cor branca.
Conhecido em Angola como ngong/gonguê, é formado por 2 ou 4 cones ocos de ferro ligados entre si. Tem um som agudo e metálico que serve de "guia", estabelecendo o ritmo batendo com uma baqueta de madeira nas duas bocas de ferro, soltando 2 timbres diferentes (tim-tom-tim). A etimologia da palavra agogô vem do iorubá, que significa "sino". É associado a Ogum, Orixá que representa o elemento metal.
Consiste em um chocalho de cesto, feito com vime ou cipó e preenchido com grãos. É conhecido também pela parceria com o berimbau na capoeira.
O xequerê (em iorubá: sẹ̀kẹ̀rẹ̀), também conhecido como abê ou agbê, consiste em uma cabaça revestida com contas. Se toca segurando-o pelo "gargalo" (pescoço da cabaça) com uma mão e a outra mão segura a ponta da rede de miçangas, girando a cabaça simultaneamente com o movimento de vaivém.
Originalmente chamado de dikanza, é um instrumento de fricção tradicional de Angola, feito de bambu ou madeira com ranhuras, tocado com uma vareta para produzir um som de raspagem característico ("rec-rec").
É um tubo preenchido com grãos e pedras, com som similar ao do caxixi. Estudos indicam uma influência indígena, visto que povos nativos já utilizavam chocalhos similares, como maracás. Acredita-se que a palavra derive do quimbundo nganza, significando "cabaça", "copo" ou "vasilha".
Na casa do Vô Benedito, o regente espiritual da Curimba é o Caboclo Apu Q'inti, uma entidade que utiliza o arquétipo do povo Andino / Inca. Atua como regente dos médiuns e entidades responsáveis pela condução dos trabalhos musicais.
Por ser um espírito andino, está muito ligado com a energia das montanhas, do céu e principalmente, do Sol (para o povo Inca, Apu Inti era o Deus do Sol). Em outras palavras, trabalha com uma energia mais etérea. Por isso, tem uma forte ligação com os trabalhos de cura, tanto da alma quanto do corpo.
Esse é o momento de saudar um dos maiores e mais importantes pilares da Umbanda: nossa “alma musical”, nossos sambas e atabaques. A Engoma é o conjunto dos três atabaques: Rum, Rumpi e Lé, tocados pelos ogans sob a chefia de S. Apu Q'Inti, espírito responsável pelo mantra através da música. O trabalho dos ogans é de grande responsabilidade, já que no terreiro a força dos pontos cantados trazem as vibrações e entidades para trabalhar.
Vem das montanhas
Pássaro sagrado
Nossos tambores ressoam
Respondem seu chamado
Do cume onde ele está
O condor de Apu Q'inti
Traz a força do Pai Sol
Pra essas terras guaranis
Ele é Poty, traz o colibri
Na força da mãe e do pai
Traz os raios de Oxalá
Para a todos encantar
No amor se transformar
(REFRÃO)
Voa bem alto
Canta beija flor
Ogã firme as batidas
Esse é o chamado de amor
A nossa gira está em festa
Brilha mais nosso congá
Apu Q'inti rege a Curimba
Pela ordem de Oxalá